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Ele "pediu para entrar"

André Ramiro, o policial Matias do filme Tropa de Elite, fala sobre sua conversão e conta que viver para Cristo é osso duro de roer || Imagem: hollywoodiano.com.br

Texto Lucas Marcelino

Se você estivesse numa feira, no Rio de Janeiro, no início da década de 90, provavelmente encontrasse André Ramiro fazendo carreto. Tempos depois, o encontraria tomando conta de placas na Avenida das Américas, na zona oeste carioca. Ou ainda como office boy, atendente de boteco, caixa de supermercado, e porteiro de cinema. Por fim, ao assistir ao filme Tropa de Elite, você o encontraria como André Matias, o soldado do Bope e do aclamado capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura.

André Ramiro nasceu em Lins de Vasconcelos e foi criado no bairro de Vila Kennedy, em Bangu, na favela da Metral. Tem duas irmãs por parte de mãe, três irmãos por parte de pai e um filho de nove anos. “Fui criado e educado por minha mãe, tive uma infância simples em um lar de valores cristãos. Com doze anos e como já era o homem da casa, tive que conciliar trabalho e estudo”, destaca André, ao mesmo tempo em que lembra que foi uma criança hiperativa e criativa. “Gostava de desenhar, pintar, assistia a muitos filmes, colecionava histórias em quadrinhos, ouvia muita música e comecei a praticar artes marciais aos 14 anos”.

Com 22 anos, Ramiro conheceu a cultura hip-hop no bairro boêmio da Lapa. Por meio de um amigo, começou a participar da Batalha do Real, competição em que MCs se enfrentam, por turnos, com rimas improvisadas. “A partir daí participei de varias edições da Liga dos MCs. Naturalmente fui envolvido no universo artístico da cultura urbana e foi aí que tudo começou.”

Dentro da tropa

“Como assim ‘tudo começou’, André? Tudo o quê?”, pensei, mas em seguida ele respondeu. “Tudo começou no fim de 2005. Nessa época, eu era porteiro de cinema e rapper.” Em um dos eventos, conheceu o ator João Velho e logo se tornaram amigos. João passou o contato de André para a Zazen Produções, de José Padilha e Marcos Prado, pois estavam procurando alguém com o perfil do Matias. “Recebi uma ligação me convidando para testes do filme Tropa de Elite. Esse foi meu primeiro trabalho como ator”, observa.

A partir daí, André foi convidado para inúmeros festivais de cinema nacionais e internacionais, foi premiado e só então começou a estudar teatro. “Fiz dez longas-metragens no Brasil e exterior, inúmeros curta-metragens e algumas participações na Globo.” Atualmente, tem contrato com a Rede Record, na qual teve participação em uma novela e está gravando seu segundo seriado. O ator também possui um disco de rap gravado, além de outros projetos cinematográficos com amigos ou por convite.

Ramiro viveu um marco na história do cinema nacional. Em Tropa de Elite, ele entrou na pele de Matias, o aspirante que depois virou capitão do Batalhão de Operações Especiais. “Os filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro abordam a realidade social, econômica e política da Polícia Militar do Rio de Janeiro, da população carioca e, consequentemente, do Brasil. Um filme sem máscaras que reflete o quanto é necessário assumirmos nossa responsabilidade como cidadãos”, acredita o ator.

Segundo ele, os longas vão ao encontro das seguintes perguntas: “É assim que queremos ser governados? Somos protegidos mesmo pela polícia? Temos boa saúde, boa educação? Somos ressarcidos dos nossos impostos? Divido as perguntas com todos, crendo que a verdadeira riqueza de uma nação é a sabedoria e que feliz é a nação cujo Senhor é Deus”.

Imagem: Desireé do Valle

Acertando o alvo

Por falar em Deus, André cresceu em um lar cristão e seu encontro com Cristo veio de dentro de sua casa. “Vivemos num mundo em que a vaidade, o desejo material e nosso próprio eu nos fazem adorar mais a criatura que o Criador. Como sou um homem falho e limitado por essência, não foi diferente comigo e, consequentemente, afastei-me dos ensinamentos de Cristo.” Mesmo ganhando o mundo, com sucesso na vida financeira e profissional, o ator fracassava dentro de casa e se sentia vazio.

“Procurei e visitei várias religiões acreditando que o caminho para melhorar seria através da espiritualidade”, continua, “foi quando minha mãe e minha irmã se aproximaram me dando carinho e conselhos, incentivando-me a ler e a estudar a Bíblia”. Mateus 11:28, 29 foi o verso que tocou no coração de André: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.”

“Senti-me tocado e, por meio da minha irmã, conheci a Igreja Adventista. Fiquei impressionado com a maneira detalhada com que a igreja transmite os ensinamentos da Palavra de Deus”, afirma o ator. Ele recebeu estudos bíblicos de diversos pastores, como Jorge Willians, Jonas nono, Lucas nono, Eliabe nono e Artur nono. “Desde então, decidi voltar a estudar a Bíblia, fui batizado, fiz novos amigos, participo de grupos de estudos bíblicos e a cada passo minha vida tem sido transformada, no passo da prática da militância da fé.”

Quando perguntado sobre a reação e opinião da família, amigos e colegas de trabalho a respeito desse novo estilo de vida, André é sucinto. “Minha família está feliz. Meus verdadeiros amigos entendem e aceitam minha escolha, entretanto, quanto ao restante, peço sabedoria a Deus para poder lidar”, resume. “Acredito que quando nós decidimos levantar a bandeira do Rei do Universo naturalmente as lutas e dificuldades virão, mas a vitória é sempre certa!”, alegra-se.

“O que você teve que renunciar, André?”, questionei. “Acredito que, como qualquer pessoa, o que temos de renunciar todos os dias, desde o momento em que acordamos, é nosso próprio eu”, explica. De acordo com o ator, a vaidade e os desejos carnais massacram o ser humano. A desobediência traz culpa e nos afasta do Pai. “Não sou perfeito, nem melhor que ninguém. Nossa luta é travada diariamente e será assim por todos os dias de nossa vida! Sem Deus nada podemos fazer.”

Missão dada, é missão cumprida

Voltando ao assunto da vida artística, cinema e televisão, Ramiro afirma que vai continuar atuando. “Creio que Deus não tem me dado o dom de atuar e não me colocou no lugar onde estou à toa. Segundo as palavras de Cristo, somos a luz do mundo e o sal da Terra. Tudo que aprendemos com a Palavra de Deus deve ser transmitido, principalmente para as pessoas que estão perdidas e não conhecem a Jesus.”

André acredita que as atitudes do cristão despertam o interesse nas pessoas em conhecer sobre essa novidade de vida (Rm 6:4). Elas estão nas ruas, em casa, no trabalho e no meio social. “Faz parte dos meus planos continuar atuando, pedindo a Deus que me proporcione trabalhos em que eu possa honrar o nome dEle. Seja dentro do meio cristão ou fora dele. Todos nós temos uma missão”, conclui o ator. E como diz o slogan do filme Tropa de Elite: “Missão dada, é missão cumprida”.

Passamos pela feira, pela Avenida das Américas, pelo boteco, observamos as ruas procurando um office boy, entramos em supermercados, lojas de conveniência e portarias de cinemas e nada do cara do Tropa de Elite. Contudo, se você, hoje, visitasse a Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Botafogo, no Rio de Janeiro, com certeza encontraria André Ramiro. O filho pródigo retornou à casa do Pai.

(Conexão 2.0)

E se Jesus fosse cogitado na Comissão de Nomeação em Seus dias?



Às vezes eu fico imaginando como seria a comissão de nomeação nos tempos de Jesus...

Após a oração inicial ser feita, ser lida uma mensagem inspirada e ser realizada uma reflexão para fundamentar que aquela comissão é escolhida e usada por Deus, e que Ele estaria presente para usar àqueles membros a fim de escolherem os líderes da igreja, no meio das sugestões de nomes de pessoas, de repente um membro corajoso, ou desavisado, sugere um nome:

– Jesus.

Logo, o restante da comissão começa a "avaliar" o nome sugerido e, um a um, começa a dizer seu voto e os motivos que tem para dá-lo.

O primeiro diz:

– Sou líder a tantos anos e nunca vi alguém que cause tanta polêmica quanto Ele. Portanto, meu voto é não.

O segundo continua:

– Esse Jesus é sem noção. Ele parece tão inteligente, mas diz tanta coisa desnecessária. Não passa de tolo! Se fosse sábio em muitas situações ele ficaria calado, como o livro de Provérbios recomenda! Não voto nele de jeito nenhum. 

Outro diz:

– Eu o vi com Maria Madalena, aquela prostituta (João 8:3-7). Logo, conforme o conselho bíblico, não podemos escolhê-lo, pois um líder não pode se envolver com mulheres assim (1 Timóteo 3:12).

E outro complementa:

– Já eu, irmãos, o vi conversando e sorrindo com outras mulheres (João 4:16, Mateus 15:28, Marcos 16:1). Esse irmão só pode ser promíscuo. Não pode ser eleito.

E mais um:

– Ah, ele não é da minha panelinha. Ele nunca está nos grupos dos líderes da igreja (cf. os Evangelhos). Então ele não é confiável! Não darei meu voto a ele.

E as acusações e pré-julgamentos continuam, cada um apresentando suas razões que, segundo eles, baseavam-se na própria Bíblia:

– Eu o vi comendo com pecadores (Lucas 15:2), portanto ele não pode ser um líder, pois se “assenta na roda dos escarnecedores”! Conforme a Palavra de Deus, ele não é bem-aventurado (Salmo 1:1). Meu voto é não.

– Verdade irmão! Eu também já o vi rodeado de ladrões, aqueles publicanos (Marcos 2:15)! Nós não podemos elegê-lo. Ele deve ser o mestre dos ladrões!

– E eu, que já presenciei inúmeras vezes ele transgredir às doutrinas de nossa igreja, propositalmente (Marcos 7:12, por exemplo)! Imagina escolher um líder que nem respeita às tradições eclesiásticas! Isso não é certo, não podemos escolher um líder assim!

– Irmãos, eu não iria nem contar isso, pra não parecer fofoca. Mas como eu acredito que o Espírito Santo se encontra em nosso meio, não importa o que parece, vou contar: Ele não é bem visto pelos seus familiares! Outro dia, ele rejeitou a sua própria mãe e seus irmãos (Mateus 12:47-50)! Já em outra situação, percebi que seus familiares eram unânimes em achar que ele perdeu o juízo (Marcos 3:21)! Imagina eleger alguém com essa índole, se não vai incentivar os nossos membros a desprezarem sua própria família?! Portanto, para o bem dessa instituição divina, a família, o meu voto é não!

Segue um outro irmão dizendo: - Irmão, não ache que isso é fofoca, pois todos nós estamos apenas repassando o que vimos e ouvimos para o bem da igreja e seus membros, tá certo? Isso é totalmente justificado.

Após esses parêntesis, segue a avaliação da comissão de nomeações:

– Outro dia eu o vi ignorando o templo (Mateus 24:2). Imagina... Já que Deus merece o melhor, nós investimos tanto as ofertas da igreja para a construção do Templo, para a habitação de Deus, e de repente ele aparece dando a entender que grandes construções assim não têm importância alguma! Os irmãos não ofertarão mais se elegermos um líder com esse pensamento. E o mais absurdo é que ele ainda deu a entender que Deus estaria em qualquer lugar em que dois ou três estivessem reunidos no nome dEle(Mateus 18:20)! Que absurdo! Com pensamentos assim, a igreja vai à falência! Meu voto obviamente é não.

– Vocês não sabem o que aconteceu outro dia! Jesus chamou aos nossos líderes de hipócritas e raça de víboras! (Mateus 12:34, 15:7)

Ouve-se então a comissão dizer: “Oooohhh... não pode ser!”, e o comentário prossegue:

– Isso mesmo! Aliás, isso não aconteceu só uma vez (Mateus 23:13). É certo que o líder A e o líder B são falhos. Mas eles são os ungidos do Senhor e, como tais, ninguém pode criticar, nem tocar neles (Salmo 105:15). Mas esse Jesus está incentivando o mal. Não voto nele de jeito nenhum.

– É verdade, meus queridos. Esse Jesus é muito crítico. Outro dia ele nos chamou de sepulcros caiados (Mateus 23:27)! Ele não pode ver um errinho sequer que já começa a criticar, como se a igreja fosse perfeita! Ele não tem em mente que somos pecadores e falhos? Não podemos eleger um líder com essa visão. Meu voto é não.

– Minha gente – outro membro comenta – a gente, não pode eleger a Jesus. Ele é de que igreja? Eu já o vi rondando tantas igrejas que eu nem sei de onde ele é membro. Ele parece um nômade, eclesiasticamente falando. Aliás, pelo que eu soube, ele não frequenta à igreja todos os dias de culto. Dizem que ele se reúne muito com as multidões nos vales e nos campos (Marcos 8:1, etc.), inclusive no dia de sábado. Parece-me que ele passa mais tempo fora do templo do que dentro dele. Imaginam um líder assim?! Não teríamos membros frequentes em nossas igrejas. Imagina, trocar um culto para alimentar uma multidão, como Jesus fez?! As coisas mais importantes deveriam vir primeiro! O templo vem primeiro e os necessitados depois, é lógico. Ele não poderia ajudar aos necessitados em outro dia, ou outro horário, que não fosse no dia e no horário dos cultos e de nossas cerimônias religiosas? Claro que podia! Se os necessitados sobreviveram até agora, uma horinha a mais não faria diferença alguma. Não podemos eleger a esse que chamam de Cristo.

– Irmãos, já que o irmão Fulano falou sobre o sábado, eu gostaria de acrescentar informações do que tenho visto e ouvido. Soube que Jesus transgrediu o sábado de diversas formas (Marcos 3:2, etc.). E quando aconselhado pelos líderes da igreja, ele ainda respondeu que o sábado foi feito para o benefício do homem (Marcos 2:27)! Imaginem só! Como se não fosse suficiente, ouvi dizer que ele anunciou por aí ser o Senhor do sábado (Marcos 2:28)! Isso já é demais pra mim.

E então, aquele que havia sugerido o nome de Jesus para ser líder da igreja, fala:

– Gente, eu nem imaginava causar esses comentários todos. Eu só sugeri o nome de Jesus, porque outro dia Ele valorizou às criancinhas (Mateus 19:14), e porque aparentemente, Ele cuida dos órfãos, das viúvas (Mateus 23:14), e dos necessitados (Marcos 8:2,3). Aí imaginei que precisaríamos de líderes assim, por isso sugeri. Mas pelo visto, já há motivos suficientes para não votarmos nEle.

– Ah irmão – diz outro membro da comissão – a igreja já possui departamentos que cuidam disso. Sempre cuidamos das crianças. E imagine que nesse ano o nosso departamento de assistência social ajudou cerca de 5 famílias, de todas as 534 famílias que temos! Isso é um total de 10%. Não é demais?! Isso pra mim já é o suficiente!

Rapidamente outro membro da comissão corrige, baixinho, a esse último sobre seus cálculos:

– Não irmão. Não são 10%, é 1%.

– Ah irmão, não seja tão pessimista: 1% é quase 2%! Aliás, com tantas dificuldades que vemos na igreja, conseguir ajudar a esses quase 2% da igreja já é demais.

E o outro irmão silencia após dizer: - É verdade.

Após esse silêncio. Logo outro irmão acha mais um “motivo” para não votar em Jesus, comenta com o irmão que estava ao lado e segue um burburinho com mais comentários negativos acerca de Jesus entre os outros membros.

Por fim, o presidente da comissão declara:

– Acho que já temos motivos suficientes para não elegermos a Jesus como líder de nossa igreja. Aliás, eu até levarei o seu nome para a comissão da igreja avaliar, visto que ele aparenta apresentar motivos suficientes para ser disciplinado ou até removido do rol de membros da igreja. Mas esse é assunto para outra comissão. Sendo assim, como não sobrou mais ninguém para o cargo, vamos eleger ao irmãozinho Beltrano.

De repente, novamente o desavisado deixa escapar:

– O Beltrano? Mas ele ainda vai ser batizado! Aliás, nem tem data definida ainda.

– Não tem problema! – diz o presidente – Ele é um irmão inteligente e, cercado de boas companhias como as que temos aqui, ele aprenderá rapidinho. E ainda, quando ele souber que seu nome foi cogitado para ser líder da igreja, na comissão de nomeação, creio que ele se sentirá motivado para decidir ser batizado.

E a comissão responde unanimemente: - Amém!

E os irmãos encerram a reunião com uma oração.

Dias depois, Jesus seria disciplinado, removido e... crucificado!

****

Ainda bem que isso é apenas fruto da minha imaginação. Ainda bem que não seria assim nos dias de hoje, não é mesmo? Ainda bem que não é assim que ocorre atualmente, não é mesmo?! Será?

(Henderson Rogers)

A disputa pelo poder

Ela gera descrédito no discurso político, mas se afastar do processo eleitoral não ajuda você nem o Brasil. Saiba por quê.
Imagem: Revista Conexão 2.0.

Neste mês de outubro, 11 candidatos disputam a presidência do Brasil, posição mais elevada do governo. Além da pessoa que vai dirigir o país, serão escolhidos os nossos representantes em diferentes setores públicos, como governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Mas, às vésperas das eleições, ainda tem gente perdida como o palhaço Tiririca que, em 2010, quando foi candidato a deputado federal, disse não saber para que servia a política nem os políticos.

Na época, o humorista ganhou a atenção dos eleitores com os bordões “o que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto" e "Pior do que tá não fica, vote Tiririca". Ironicamente, ele foi o deputado mais votado do Brasil, com quase 1,5 milhão de votos. A vitória de Tiririca nas urnas sugere pelo menos duas coisas sobre o eleitorado brasileiro: desinteresse e descontentamento. Afinal, elegemos um palhaço como nosso representante!

O ponto é que a política rege a sociedade, mas o brasileiro nem sempre se dá conta disso. Mesmo com o possível despertamento de uma geração, exemplificado nas manifestações populares históricas de junho do ano passado, ainda é preciso avançar. Foi por essa razão que a Conexão 2.0 dedicou esta matéria de capa para explicar o bê-a-bá do processo eleitoral e mostrar a experiência de alguns jovens que se interessam pela política e procuram participar ativamente dela.

Falando grego
Você deve estar pensando: “Ok, acompanhei as manifestações, mas o que isso tem a ver comigo?” Tudo, porque querendo ou não, todos somos políticos. Estamos envolvidos diariamente em questões de implicações coletivas, da vida em sociedade, como o acesso ao atendimento de saúde de qualidade, o ingresso em universidades de ponta, a sensação de insegurança ao voltar da faculdade à noite e o polêmico preço das tarifas do transporte público.

Portanto, para começar, é importante saber que, se hoje o discurso dos políticos parece soar em “grego”, foi o povo da Grécia que deu uma grande contribuição para a organização das sociedades. A política surgiu há 2.500 anos, com os cidadãos que procuravam uma forma de melhor governar Atenas.

A palavra é derivada do grego politheia. O termo refere-se a todos os procedimentos utilizados para administrar a cidade-estado (pólis). O poder, antes centrado apenas em mãos autoritárias, foi dividido entre a elite ateniense que passou a assumir funções públicas, representando o povo dentro do governo.

Primeiramente, a seleção dessas pessoas foi feita por meio de sorteio. Quem conseguia uma vaga na gestão da pólis ganhava até salário. Mais tarde, foi adotado o voto. A população também podia acompanhar as reuniões realizadas em praça pública, ficando por dentro de tudo que acontecia. Ironicamente, séculos depois, boa parte dos brasileiros parece distante desse processo.

O povo é quem manda, só não sabe

Desde 1889, o Brasil adotou a república como sistema de governo. No dia 15 de novembro daquele ano foi declarado o fim da monarquia, um marco da nova era na qual ingressava o país. Fomos os últimos do continente americano a adotar esse modelo. Diferentemente da monarquia, a república permite aos brasileiros a participação no processo democrático, por meio do voto, como faziam os atenienses.

Mas só votar não é o suficiente. O povo precisa acompanhar de perto como a máquina pública é administrada, reivindicar seus direitos junto a seus representantes e ser responsável em cumprir seus deveres. Porém, segundo especialistas, nos últimos anos, os brasileiros têm demonstrado desinteresse nas eleições, e acabam votando por obrigação ou se abstendo do voto.

“As eleições parecem ter perdido um pouco de espaço para outras formas de participação, como os protestos, juntamente com o declínio da confiança dos cidadãos em instituições políticas, especialmente partidos políticos e o Poder Legislativo”, explica o cientista político Guilherme Arbache. Mesmo assim, Arbache acredita que o voto ainda é o maior instrumento de poder na mão do povo. “As eleições ainda são a expressão máxima do processo democrático”, resume.

No Brasil, o modelo político adotado é o da democracia representativa. Por meio dela, líderes políticos representam o povo nas variadas esferas públicas. De acordo com a Constituição, todo brasileiro pode cobrá-los, fazendo valer seus direitos de cidadão.

Em outras palavras, se você estiver descontente com aquele buraco gigantesco na sua rua, é possível conversar com o vereador da sua cidade, o mesmo em quem você votou ou não, e pedir a ele satisfações. A atitude serve também para outros casos, como postos de saúde superlotados e escolas sem professores.
Esses representantes atuam mais especificamente nos chamados três poderes: executivo, legislativo e judiciário. Apesar de distintos, eles estão interligados e o funcionamento deles é o que torna a democracia mais sólida e eficaz (veja o tópico “Tripé político”).

Na prática
Para entender um pouco mais como funciona a política, nada melhor do que começar pelas eleições. No início de julho, os interessados realizaram junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o registro de suas candidaturas para o pleito de 2014. Neste ano, a disputa conta com 11 presidenciáveis: três mulheres e oito homens. Enquanto que para os cargos de governador, senador e deputado competem 26.127 pessoas. Em outubro, caberá a 142.822.046 eleitores decidir quais deles serão os novos líderes do Estado.

Na última eleição presidencial, em 2010, mais de 135 milhões de pessoas votaram, sendo 2,3 milhões de jovens entre 16 e 17 anos. Mas essa representação caiu. Apesar de o número total ter aumentado, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral, apenas 1,6 milhão de jovens da mesma faixa etária votarão este ano – 700 mil a menos que em 2010 (ano que já tinha registrado queda em comparação com 2006). É interessante entender o comportamento desse grupo que vota facultativamente, já que para os demais a participação na eleição é obrigatória.

A tecnologia e o voto
O processo é apurado a partir da contagem das urnas eletrônicas. Mas nem sempre foi assim. Na época da República Velha, o voto era feito em papéis e levava meses para que os brasileiros soubessem quem seria eleito. Normalmente, os votos eram transferidos de todas as cidades do Brasil para o Rio de Janeiro, em meio às limitações de transporte da época, o que colocava em xeque a confiabilidade do resultado.

As coisas mudaram um pouco em 1881 com a Lei Saraiva, ainda nos tempos do império. É que a lei impôs a criação do título de eleitor, estabeleceu eleições diretas e determinou que só poderia votar quem tivesse mais de 21 anos, fosse alfabetizado e possuísse renda superior a 200 mil contos de réis.

Menos de um século depois, foi criado o primeiro Código Eleitoral brasileiro, então prevendo o uso de uma “máquina de votar”. Somente entre as décadas de 80 e 90 é que surgiram as urnas eletrônicas. No entanto, 765 cidades já usarão urnas biométricas e sistema digital de registro de voto neste ano. Em duas delas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bento Gonçalves (RS) e Florianópolis (SC), haverá um projeto-piloto de votação mista: com e sem identificação biométrica.

Dos eleitores, 23,8 milhões estão cadastrados biometricamente e deles 21,6 milhões votarão após autenticação do voto com as digitais na eleição deste ano. Essa forma de votação, independentemente do tipo da urna, é considerada democrática, uma vez que a escolha de todas as pessoas tem o mesmo peso e vale a soma da maioria das intenções.

Em outros países, cuja democracia também é o sistema vigente, o voto é optativo. Assim, só vota quem quiser, e aquele que se abstém não é multado em 3,50 reais, como no Brasil. Canadá, Estados Unidos, El Salvador, Cuba, Colômbia e Paraguai são alguns dos países em que o voto não é obrigatório.

Por que participar?
Mas como se envolver com política e por que fazer isso? No Brasil, apenas 9% dos jovens se consideram politicamente participantes, seja pelo engajamento em algum comitê partidário ou em coletivos e diretórios. E os demais? Segundo a pesquisa Agenda Juventude Brasil 2013 que apresentou este dado, 38% da jovens não gostam e não se envolvem com política.

A razão desse fenômeno pode estar relacionada ao desinteresse, mas também ao analfabetismo político. Nas grades estudantis, por exemplo, não há uma matéria de educação política que ensine o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro ou a administração nacional. No máximo, o assunto é pontuado na disciplina de Geografia.

Experiência positiva
Porém, da cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia, vem um bom exemplo de alguém que contrariou essa lógica. Francisco Kelvin, de 17 anos, tem uma opinião bem firme sobre tudo o que tem a ver com política. “Nossas relações no dia a dia são atos puramente políticos. Nossa vida é política”, pontua. “Nesse sentido, sempre me coloquei como tal e sempre procurei exercer isso: na escola, em casa, na minha militância...”, relata, mostrando seu interesse pelo tema.

O estudante apresenta outro ponto de vista sobre o desinteresse dos jovens pela política: “É que nossa política é chata. Essa talvez seja a questão. Nossos políticos estão ultrapassados. Falam chatices. E o jovem sabe disso”, opina.

Apesar de não ser um tema indigesto, Kelvin sempre gostou do assunto, o que o levou a se engajar logo cedo. Aos 15 anos, ele já participava do projeto Protagonismo Juvenil e da Patrulha Eleitoral – iniciativas que estimulam o adolescente a desenvolver atividades além dos interesses individuais na cidade em que vive.

Como tomou gosto, Kelvin não parou. Um ano depois, envolveu-se no movimento estudantil na escola e na comunidade e então nos programas Parlamento Jovem e Jovens Embaixadores, no qual ganhou uma viagem para os Estados Unidos, realizada em janeiro.

Mais perto do parlamento
O Parlamento Jovem é uma iniciativa da Câmara dos Deputados que seleciona menores de idade para passar uma semana em Brasília a fim de conhecer a rotina dos parlamentares. Já o projeto Jovens Embaixadores é um programa criado em 2002 e busca beneficiar os alunos brasileiros da rede pública de ensino que se destacam por sua atuação comunitária. Os selecionados passam três semanas nos Estados Unidos.

Ambas as experiências foram significativas para Kelvin mas, por meio do Parlamento Jovem ele entendeu melhor o sistema legislativo brasileiro. “Fiquei uma semana em Brasília trabalhando como deputado. Foi uma experiência riquíssima, vivenciei um pouco do nosso processo legislativo, vi o quanto ele é lento e cansativo, porém de suma importância para nós”, avalia.

Kelvin não sonha em assumir um cargo eletivo. Ele prefere a militância e sonha, na verdade, em se formar em Biologia ou Geografia, mas sempre continuar na luta por uma reforma política. Mas, caso um dia se candidate a algo, será para uma função legislativa e não executiva, ele garante.

Militância com e sem partidos
Mas para quem tem convicções alinhadas às de partidos, vale a filiação. Coisa que o estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Espírito Santo, Kauê Scarim, de 22 anos, fez. Scarim milita desde 2011 no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Hoje ele também é diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) e militante no coletivo da juventude do PSOL, o JSOL. De acordo com ele, dos aproximados 89.222 mil filiados ao partido, um terço são jovens.

No Brasil existem 32 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral e mais de 15 milhões de pessoas filiadas a eles. Segundo o TSE, “a filiação partidária é o ato pelo qual um eleitor aceita, adota o programa e passa a integrar um partido político”. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) é o que soma mais filiados, ultrapassando 2 milhões de pessoas. Já o Partido da Causa Operária (PCO) é o que tem menos, apenas 2,6 mil filiados.

No entanto, politização não tem ligação direta com partidarização. Pode-se ser uma pessoa politizada, mas sem estar filiado. É o caso de muitos jovens que exercem influências positivas em suas comunidades ou que lutam por um bem comum.

No ano passado, as manifestações pela redução da tarifa dos ônibus foram conduzidas por jovens, sobretudo estudantes. Havia os partidários no meio do movimento, como Scarim, mas uma grande maioria não era filiada. O que abre mais uma vez a margem para mostrar que politização não tem que ver com partidarização.
Pensamento defendido também por Kelvin que, por algum tempo, teve ideais muito alinhados aos da cartilha petista, mas que não se considera um militante do partido, e sim das bandeiras que defendem uma reforma política.

Religião e política
Vivemos em um Estado laico, termo de origem latina (laicus) que significa sem religião ou secular. Sendo assim, o Brasil não possui uma religião oficial. Essa posição ajuda a garantir, por exemplo, que ateus e religiosos de várias matrizes, sejam maioria ou minoria, tenham os mesmos direitos de expressar sua fé ou descrença.

Conforme está escrito na Constituição, no Art. 5º, Inciso VI, "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias".

Quem estudou em nível doutoral a relação entre o Estado e as organizações religiosas foi Josias De Benedicto, professor do curso de Direito do Unasp. Segundo ele, nessa discussão costuma haver confusão com a definição de termos como "Estado laico", "igreja e Estado", "liberdade de crença" e "liberdade religiosa”.

De acordo com Josias, “o ideal de um estado laico é efetivar uma separação entre ‘religião e estado’ e não apenas separar ‘igreja e estado’”. É importante entender que “religião é o todo; igreja é parte”. Ou seja: “se igreja é um símbolo religioso do cristianismo, ela não é do islamismo (mesquita) e do judaísmo (sinagoga)”, diferencia. Confusão semelhante ocorre com as expressões "liberdade de crença" (qualquer tipo) e "liberdade religiosa" (crença especificamente religiosa).

Cristãos no debate
De acordo com o professor, no que diz respeito aos cristãos e à política, infelizmente, há um mal-entendido em boa parte das igrejas. Para ele, devido a ideias distorcidas vindas dos púlpitos, os fiéis são induzidos a não se inteirarem na política. “Muitos líderes cristãos pregam uma suposta incompatibilidade entre vida cristã e vida política, confundindo politicagem com política. Grande erro!”, observa Josias, alertando ainda para o fato de que “não participar da vida político-democrática significa correr o risco de ser governado por descrentes que abominam a Deus”.

Contra a maré dos cristãos que preferem não entrar em discussões políticas, o funcionário público Diego Fortunato considera importante estar atento ao cenário político em que vive. Aos 30 anos de idade, o adventista do sétimo dia já votou em seis eleições. Para ele, votar conscientemente garante inclusive a segurança dos próprios cristãos. “É preciso estar consciente se o candidato é liberal ou conservador, se ele segue uma linha democrática ou se seu partido tem ligação histórica com ditaduras e regimes comunistas que reprimem o cristianismo e qualquer liberdade religiosa”, adverte.

Na Bíblia é possível ver representantes do povo de Deus envolvidos em questões civis. José, Moisés, Ester e Daniel, todos tiveram contato com os governantes de sua época. José foi governador no Egito. Similarmente, Daniel alcançou o topo do poder civil em Babilônia, e aquela nação foi beneficiada por isso. Mais tarde, o profeta teve influência no governo medo-persa dos imperadores Ciro e Dario. No Novo Testamento, há registro de Paulo pregando para o alto escalão do Império Romano. E assim foi com os cristãos ao longo da história.

Segundo Márcio Costa, professor de Teologia do Instituto Adventista Paranaense (IAP), Ellen G. White, uma das pioneiras da Igreja Adventista, era favorável e encorajava os jovens para que se candidatassem a cargos públicos. “No entanto, ela advertia que, tal qual José no Egito, a religião deve ser o esteio de todas as decisões. Não pode haver incoerência entre o exercício da função e a prática da fé”, complementa o especialista em história do adventismo.

Na visão do teólogo, o estado e a igreja exercem funções complementares e, em alguns tópicos compartilham a mesma agenda, como a promoção da justiça e da paz e o investimento em saúde e educação. “Ao estado compete a manutenção da ordem social por meio do cumprimento das leis, o que envolve punição ou recompensa e, à igreja cabe a transformação pessoal por meio do evangelho”, define.

Ao falar sobre a importância do perfil do candidato a ser escolhido, ele aconselha que os cristãos analisem, além das propostas e capacidade administrativa do político, como o discurso e a conduta dele revelam seus princípios morais (veja o tópico “Cartilha”). “O voto, portanto, é um dispositivo que a democracia nos dá de representar a vontade de Deus”, conclui o teólogo Márcio Costa.

Tripé político
Executivo. Está dividido em três níveis: federal (presidente), estadual (governador) e municipal (prefeito). É responsável pela execução de programas em áreas como educação, saúde, agricultura, habitação, saneamento e prestação de serviços públicos.

Legislativo. Também é divido em três níveis: municipal (vereadores), estadual (deputados) e federal (deputados e senadores). São os parlamentares que devem fazer do legislativo o principal fórum de debate social, ouvindo a população e a representando em suas decisões. Eles também fiscalizam o Poder Executivo.

Judiciário. Pune quem não cumpre a lei e protege os direitos individuais e coletivos dos brasileiros. É dividido por áreas: federal, estadual, do trabalho, eleitoral e militar. Os juízes ou magistrados são selecionados via concurso público.

Cartilha
Assim como outras denominações, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem orientado seus membros sobre a postura da organização em tempos de eleição. Seguem abaixo as principais diretrizes.

A igreja, suas instituições e funcionários não manifestam apoio a nenhum regime político, partido ou candidato. Ela é apartidária. Por isso, não mantém bancada de parlamentares e nem permite que seus templos, reuniões e materiais sejam usados para propaganda eleitoral.

A igreja recomenda que seus membros participem das eleições e que votem em candidatos que: (1) combatam as drogas legais e ilegais; (2) defendam e liberdade religiosa, a separação entre igreja e estado e a proteção à família; (3) e que tenham propostas concretas para melhorar a vida da população.

A igreja desaconselha que candidatos adventistas peçam votos em reuniões oficiais e solicita que eles deixem suas funções na congregação local durante a campanha. Para se candidatar, pastores e funcionários da igreja devem se desligar da organização. Adventistas eleitos não são representantes da denominação no parlamento ou poder executivo.

Fonte: Documento “Os adventistas e a política”, redigido pela sede sul-americana da Igreja Adventista e publicado na Revista Adventista de setembro de 2014, nas páginas 12 e 13.

Saiba quem (não) representa você

Câmara dos Deputados: representa o povo brasileiro, legisla sobre os assuntos de interesse nacional e fiscaliza a aplicação dos recursos públicos. Durante quatro anos, os 513 deputados federais criam, reformulam e votam leis (www2.camara.leg.br).

Senado Federal: além de aprovar leis e fiscalizar o Poder Executivo, os 81 senadores podem processar e julgar o presidente da República, regulamentar as agências reguladoras e suspender a execução de leis julgadas pelo STFcomo inconstitucionais. Cada estado elege três senadores para um mandato de oito anos (www.senado.gov.br).

Presidência: governa o povo e administra os interesses públicos; exerce o papel de chefe de Estado e de governo; e executa as leis elaboradas pelo Poder Legislativo, mas também pode iniciar esse processo. É eleito(a) para um mandato de quatro anos, com possibilidade de reeleição (www2.planalto.gov.br).

(Isadora Stentzler e Rafael Acosta - Revista Conexão 2.0)

Quando a religião é inútil


Na falta de amor puro e abnegado entre os guardadores do Sábado manifesta-se a ação da influência corruptora de Satanás. A tendência constante do mundo é impedir a misericórdia e o amor que Deus quer colocar no coração dos Seus filhos. Mesmo entre aqueles que ocupam posições importantes na obra sagrada de Deus se expressa o sentimento de que “negócios são negócios”; querendo dizer que se deve separar a religião dos negócios. Os homens podem ser muito exatos nas suas contas, muito rigorosos nas suas observâncias religiosas, mas tudo isto é como o metal que soa e como o sino que tine, se o amor de Deus não se manifestar na vida diária. Cristo proferiu palavras de censura aos escribas e aos fariseus, porque neste ponto eles falharam no seu dever para com o próximo. Ele disse: “Dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas” (Mat. 23:23).

(Ellen G. White, Review and Herald, 28 de julho de 1891)

A religião conforme a Bíblia




A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo. Tiago 1:27

A religião da Bíblia não é uma roupa que podemos pôr e tirar a nosso gosto. Ela é uma influência envolvente, que nos leva a ser pacientes, abnegados seguidores de Cristo, fazendo como Ele fez, andando como Ele andou. [...] Essa religião nos ensina a mostrar paciência e tolerância quando somos postos em lugares em que recebemos tratamento rude e injusto. [...]

Mas se a Palavra de Deus é um princípio permanente em nossa vida, tudo que tivermos de fazer, cada palavra, cada ato mesmo que trivial, revelará que somos sujeitos a Jesus Cristo, que até nossos pensamentos foram levados cativos a Ele. Se a Palavra de Deus é recebida no coração, esvaziará a disposição de autossuficiência e presunção. Nossa vida será um poder para o bem, porque o Espírito Santo nos encherá a mente com as coisas de Deus. A religião de Cristo será praticada por nós, pois nossa vontade está em perfeita conformidade com a vontade de Deus. [...]

“Examinais as Escrituras” (Jo 5:39). Nenhum outro livro suscitará pensamentos tão puros, elevados, enobrecedores; em nenhum outro livro se pode obter uma experiência religiosa profunda. Ao dedicar tempo para o exame de consciência, para a oração humilde e para o estudo diligente da Palavra de Deus, o Espírito Santo Se aproxima para aplicar a verdade ao coração. [...]

A Bíblia, e somente a Bíblia, deve ser a regra de nossa fé. Ela é uma folha da árvore da vida, e ao comê-la, ao recebê-la em nossa mente, tornamo-nos fortes para fazer a vontade de Deus. [...]

Se não recebermos a religião de Cristo, nutrindo-nos da Palavra de Deus, não teremos direito à entrada na cidade de Deus. Havendo vivido de alimento terreno, tendo educado nossos gostos a amarem as coisas mundanas, [...] não conseguiríamos apreciar a corrente pura, celestial que ali circula. [...]

Jesus diz: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). Vivendo em Cristo, seguindo a Ele, por Ele sustentados e dEle tirando a nutrição, dareis frutos segundo a semelhança dEle. Vivemos e nos movemos nEle; somos um com Ele, e um com o Pai. O nome de Cristo é glorificado no crente filho de Deus. Isso é religião bíblica.

Escravos libertados


Aqueles que são fascinados por sua religião de fachada não se agradam da ideia de destruir o velho homem com seus feitos e submeter todo pensamento rebelde ao domínio de Cristo. Não desejam se submeter ao controle do Espírito de Deus, cuja obra no coração humano é expulsar toda corrupção e estabelecer princípios de virtude, temperança, bondade, fraternidade e amor cristão. Todavia, aqueles que recebem o Espírito de Deus, embora tenham estado mortos em ofensas e pecados, experimentarão a atuação profunda daquele poder que ressuscitou Jesus Cristo da morte. O poder vital do Espírito Santo erguerá aqueles que reconhecem o próprio desamparo, confessam seus pecados e aceitam Jesus. Todas as faculdades devem ser submetidas ao controle do Espírito de Deus. 
A desajudada humanidade pode lutar com as próprias forças, empregar a razão, eloquência e filosofia em busca de reparar as ruínas de um mundo caído e desordenado; homens podem elaborar e ouvir teorias mas a questão é: Qual tem sido o resultado? Jesus responde: “Sem Mim, vocês nada podem fazer” [João 15:5]. Enquanto toda a sabedoria dos eruditos, todo acúmulo de habilidade humana estão sobre aqueles que se encontram mortos em ofensas e pecados, eles nada podem fazer para reformar o caráter. O egoísmo humano permanece com toda a sua depravação. Somente o Espírito de Deus pode tornar e manter puro o ser humano. Sua atuação no indivíduo é descrita como revivificando o morto, e libertando-o da escravidão do pecado, o qual tem atraído a condenação da lei em que ira e tribulação caem sobre todo malfeitor. É a graça de Cristo que leva salvação a todo o que a recebe. Aqueles que são convertidos experimentam paz e segurança para sempre. Em vez de escravidão, são livres em Jesus Cristo. Desfrutando a liberdade de filhos obedientes, eles podem dizer: “Deleito-me em fazer a Tua vontade, ó Deus, a Tua lei está dentro do meu coração” [Salmo 40:8].

(Ellen G. White - Signs of the Times, 5 de novembro de 1894)

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