Perfeita Paz

“Tu guardarás em perfeita paz todos os que em ti confiam, aqueles cujos propósitos estão firmes em ti.” (Isaías 26:3, NVT)

Este verso está inserido nos dias do profeta Isaías, cuja cidade Jerusalém tinha uma certa fortificação (v. 1) e, o que o poder humano não podia fazer, o poder divino fez. A Assíria, por exemplo, empreendeu uma tentativa de invasão, liderada por Senaqueribe, mas não logrou êxito. Deus fez de Jerusalém uma fortaleza, um lugar de salvação para o povo de Deus, cujos muros tornaram-se intransponíveis.

Entretanto, este capítulo contém pinceladas alusivas a um período diferente do tempo de Isaías: o verso 2 diz que os habitantes desse lugar eram uma nação santa e fiel e o verso 3 torna mais evidente essa ideia quanto ao tempo, ao dizer que o Senhor guardaria em perfeita paz todos os que nEle confiassem.

Quando Cristo habitou entre nós, ele disse que nos deixaria a Paz (João 14:27). Ele falou isso, mesmo sabendo das perseguições, guerras, tragédias e morte que Seus discípulos enfrentariam. Isso porque a Paz que Jesus dá independe das circunstâncias. Ela pode ser obtida mesmo no meio de uma perseguição ou de diversos outros problemas e dificuldades. Não é uma paz temporária que o mundo oferece quando há ausência de guerras. Também não é uma paz hipócrita proferida por alguns que saúdam “a paz do Senhor” apenas para os seus, mas que com seu temperamento, suas atitudes e palavras, demonstram estar vivendo e perdendo uma guerra emocional e espiritual. 

A Paz que Cristo oferece é refletida no semblante feliz, num temperamento sereno mesmo diante de tribulações, e numa vida fervorosa que tranquiliza e motiva as pessoas ao redor daquele que a recebeu. E ela é possível para todo aquele que aceita ao Senhor Jesus e tem em sua vida a presença do Espírito Santo. Ela é transformadora, porque sempre está aperfeiçoando aquele que a recebe. Ela é enriquecida com a Esperança da breve volta de Jesus e traz a certeza de que o Céu é o nosso Lar. A paz que vem de Cristo é capaz de aliviar o cansaço daqueles que carregam fardos insuportáveis em sua vida. E, sendo Cristo exatamente aquilo que Ele oferece, a paz é o próprio Jesus.

Assim, a paz perfeita do reino de Deus pode ser desfrutada agora mesmo, porque o reino já está entre nós (Lucas 17:21). Mas ela também será a herança dos santos no reino de Deus, “aqueles cujos propósitos estão firmes” no Senhor (v. 3), onde o Apocalipse chama de Nova Jerusalém (Apocalipse 21:1-2).

Portanto, essa é uma profecia de múltipla referência, quando ela se refere a momentos distintos. Porém, mais importante do que compreender termos técnicos como esse, precisamos entender a Paz perfeita e quem a dá. Você gostaria de obtê-la? Basta buscá-la no Senhor e confiar. Que a Paz eterna oferecida por Cristo seja constante em sua vida!

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[Nossa] autossuficiência de Judá

 

“Entre os muros da cidade constroem um reservatório para guardar a água do tanque velho. Em nenhum momento, pedem ajuda àquele que fez tudo isso; não levam em conta aquele que há muito planejou essas coisas.” (Isaías 22:11, NVT)

Num primeiro momento, é possível que ao ler esse texto referente ao povo de Judá, não seja notado nada fora do normal. Afinal, era necessária a construção de um reservatório de água para abastecer o povo, especialmente em períodos de guerra. Além dessa necessidade, observando os versos anteriores, nota-se que havia brechas (v. 9) nos muros de proteção da Cidade de Davi, de forma que seria preciso demolir algumas casas (v. 10) para usar como material para consertar essas brechas dos muros e reforçar a proteção contra inimigos invasores.

Acontece que, essa foi uma profecia que relatava o que ocorreria a Judá, provavelmente durante a invasão dos exércitos assírios por Senaqueribe em 701 a.C., como registrado na História. O telhado plano das casas, que era local em que as pessoas se reuniam para diversas atividades, tornou-se lugar de diversão, onde o povo se reunia, comendo e bebendo, despreocupadamente (v. 1, 13), enquanto que seus compatriotas perdiam a vida na luta contra os invasores.

É certo que, por inúmeras vezes, Deus não é o causador das coisas ruins que ocorrem, mas sempre que elas ocorrem, sendo causadas ou apenas permitidas por Deus, Ele espera que Seu povo volte-se para o Altíssimo em busca de proteção e arrependimento, no mínimo, de modo que as tragédias acabam cooperando para o bem (ver Romanos 8:28). Mas não foi isso que aconteceu com o povo Judá.

O verso inicialmente destacado revela uma grandiosa obra de arquitetura e engenharia que destinava aos habitantes de Jerusalém as águas de Giom e era completamente inacessível ao inimigo fora da cidade. E esse, entre outros, era um motivo pelo qual o povo não se preocupava: afinal, por seus próprios esforços (pensavam), eles tinham construído tantas invenções magníficas e tinham tantos recursos que já não precisavam mais buscar a Deus, o verdadeiro idealizador e Arquiteto da cidade e de todo o Universo, que os inspirou a terem tantas invenções e proporcionou-lhes tantos recursos. Eles se esqueceram do Senhor e de que só o Eterno poderia dar o auxílio necessário em tempo de angústia. Por confiarem em sua própria capacidade, em nenhum momento pediram ajuda ao Onipotente e sequer levaram em conta Aquele que planejou todos os recursos que agora tinham.

Apesar de ser uma profecia aplicada à antiguidade, esse texto relata algo muito atual. Quantas vezes, após o Senhor prover diversos recursos para que se obtenha a formação acadêmica almejada, o emprego dos sonhos, um relacionamento satisfatório, ou até uma família realizada, entre outras coisas, o ser humano tende a se esquecer do Criador que tudo proveu, de modo a deixar de praticar os Seus ensinos e viver os Seus princípios, por achar que na verdade só dependem de seus próprios esforços e não do Eterno, não é mesmo?!

Isso tem falado com você? Pense direitinho. Como está sua vida, comparada há alguns anos? Após conseguir realizar os seus planos, você permanece leal ao Senhor ou deixou de seguir os ensinos do Eterno?

Se tamanha deslealdade e ingratidão do povo de Judá para com Deus não lhe chamam atenção, de modo que você se sinta motivado a observar suas atitudes diante de todas as bênçãos que o Senhor lhe proporciona, talvez a consequência das atitudes autossuficientes do antigo povo de Deus proferida na Palavra do Senhor venha lhe impactar:

“Até o dia em que vocês morrerem, esse terrível pecado não será perdoado. Eu, o Soberano Senhor dos Exércitos, falei!” (Isaías 22:14, NVT)

Por fim, é necessário ressaltar que esse não foi um decreto arbitrário de Deus. O povo recusou-se a voltar para o Senhor e, enquanto persistiam nessa perversidade e deslealdade, o Senhor não pôde perdoá-los e salvá-los. E por que hoje seria diferente com aqueles que têm a mesma atitude trazida à reflexão nesse texto?

Isso não diz nada a você?

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Adorando a Deus ou a quem?

 


“Desesperados, pulavam e dançavam em torno do altar. (...) Eles começaram a gritar mais alto ainda...” (1 Reis 18:26,28, A Mensagem)

 

Essa foi uma cena de adoração registrada na Bíblia: pulos, danças, gritaria, barulho.


Eis um detalhe importante: foi uma cena típica de adoração ao deus pagão Baal, por falsos profetas, falsos adoradores! Era um ritual comum entre eles.

 

Isso mesmo. Quando o profeta Elias fez um teste para provar quem era Deus (se os deuses pagãos existentes, representado por Baal, ou se o Eterno, que havia libertado e conduzido Israel, os profetas de um deus criado, inexistente) os falsos profetas pularam, dançaram, gritaram e causaram o maior barulho!

 

Como tem sido a adoração da sua comunidade religiosa? Barulhenta? Há gritaria? Pulos, etc.? Se sim, cuidado! Essa "adoração" mais se parece com a adoração que os falsos profetas faziam a Baal! Pode ser duro de ler isso, mas está na Bíblia!

 

Deus não é surdo para que seja necessário falar ou cantar acima do nível de decibéis toleráveis para a escuta. Deus não está dormindo para que seja necessário pular e fazer barulho pra chamar Sua atenção.

 

Por mais que inventem rituais barulhentos, com pulos, danças, gritarias, agitação, e ainda atribuam essas atitudes ao Espírito Santo, a Bíblia mostra que tais atitudes não são provenientes do Espírito do Senhor, mas de falsos adoradores de falsos deuses! Pode até ser que isso aconteça motivado por algum espírito, mas definitivamente esse não é o Espírito do Senhor!

 

Em contrapartida, como foi a adoração do profeta Elias ao Senhor?


Ele montou o altar, obedecendo às ordens do Senhor e orou em reverência. Sem gritos, sem pulos, sem agitação, sem barulho. Simples assim. 

 

E Deus ouviu e o respondeu! (vs. 36-38)

 

Como tem sido a adoração em sua comunidade religiosa?


(Henderson Rogers)


Perturbador de Israel


“É você mesmo, agitador de Israel!" (1 Reis 18:17, A Mensagem)

 

Agitador, perturbador, flagelo... Dependendo da versão da Bíblia, foi assim que o rei Acabe chamou ao profeta Elias por este ser duramente crítico às atitudes do rei que eram contrárias à Palavra do Senhor.

 

E assim tem sido a estratégia de muitos líderes religiosos durante séculos: rotular àqueles que têm coragem de adverti-los e criticá-los por sua péssima liderança, por realizarem obras contrárias à Palavra do Senhor, a fim de que eles sejam mal vistos e consequentemente ignorados pelo povo.


E, acredite, tal estratégia tem tido sucesso na grande maioria dos casos. Geralmente, líderes que cometem erros e não os querem corrigir, não aceitam a correção de ninguém e se acham blindados contra a correção divina. É então quando eles demonizam a palavra "crítica" a fim de que todo aquele que se utilizar dessa atitude seja tido como errado, como "dissidente", "possesso", "mau cristão", "revoltado", ou outro rótulo que eles queiram implantar.

 

Obviamente, existem pelo menos dois tipos de críticas e dois tipos de críticos. Isso tanto pode ser percebido tanto semanticamente, quanto na prática, analisando as intenções, os motivos, e a própria Bíblia.

 

Por exemplo: Jesus criticou os fariseus em muitas situações. E os fariseus também criticaram a Jesus em muitas situações. O primeiro, com o intuito de salvar, de não deixar outros se perderem pelas más atitudes deles, e sempre fundamentado na Palavra de Deus. Os últimos, com o intuito de destruir, desqualificar, desacreditar, silenciar as palavras e ações de Jesus, e até poderiam usar as Escrituras fora do contexto para tentar fundamentar seus próprios desejos egoístas.

 

Os grandes homens da Bíblia sempre foram críticos com relação ao pecado. Elias, Jesus, João Batista, Samuel, Abias, Natã, e a lista não para. A diferença dessa crítica é que ela é feita por amor, mesmo sendo dura, e é fundamentada na Palavra de Deus. 

 

Por outro lado, más pessoas também se utilizam da crítica para desencorajar, condenar, e julgar, entre outras coisas, como os fariseus em relação a Jesus. A diferença é que nesse tipo de crítica não há amor e muito menos boa intenção, ou bons motivos. Obviamente, esse tipo de crítica não deveria existir.

 

De todo modo, não rotule e ainda questione todo rótulo, quanto mais quando criam em cima daqueles que costumam reagir criticamente em determinadas situações.


Elias foi rotulado como agitador ou perturbador do povo de Deus. A fim de tentar desvalorizar o Seu poder, Jesus ficou conhecido como Jesus de Nazaré ("pode vir algo de bom de Nazaré?", pensavam), entre outros rótulos. Entretanto, eram eles quem chamavam atenção à Palavra de Deus.

 

Isso não diz nada a você?

 

#LeiaaBíblia #NaContramão


(Henderson Rogers)

 

O Dom de Línguas

 


Atos 2 revela-nos a verdade sobre o dom de línguas. Vale a pena ler direitinho para perceber como ele funciona e qual o motivo dele ter sido dado.

"E todas as pessoas ali reunidas ficaram cheias do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o próprio Espírito lhes concedia que falassem." (Atos 2:4)

Antes de tudo, entenda: Quem dá o dom de línguas, assim como todos os outros dons é o Espírito Santo. Isso é uma prerrogativa exclusivamente dEle. Como um presente imerecido, o Espírito Santo concede os dons a quem Ele quer e não a quem deseja, pede ou se acha merecedor. Como todos os muitos outros dons, ele não é um dom de todo o cristão (Efésios 4:11). O Espírito Santo o concede a quem Ele achar necessário, com objetivos específicos (Efésios 4:12): o aperfeiçoamento dos cristãos, para a obra do ministério e para edificação da igreja de Cristo.

Eis o motivo pelo qual foi/é concedido o dom de línguas:

"Ora, estavam morando em Jerusalém, judeus, tementes a Deus, vindos de todas as partes do mundo" (Atos 2:5) "partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judeia e Capadócia, do Ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene, e romanos que estão morando aqui, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes" (vs. 9-11).

O dom de línguas foi dado naquele momento por um único motivo: existiam pessoas reunidas ali de todas as partes do mundo. Obviamente, cada um falava e entendia em uma língua diferente, a língua materna, da região de onde tinham vindo. O dom de línguas foi dado para que essa barreira das línguas diferentes fossem quebradas e pudesse haver uma comunicação de forma que todos poderiam entender em sua própria língua. 

Isso é confirmado nos versos 6 a 8, de Atos 2: 

"e ficaram maravilhados, pois cada um ouvia falar em sua própria língua. Perplexos e admirados comentavam uns com os outros: “Porventura, não são galileus todos esses que estão falando? Como, então, cada um de nós os ouve falar em nossa própria língua materna?"

Assim, o objetivo do dom de línguas era a pregação do evangelho (Atos 2:22-36) aos que falavam e ouviam línguas diferentes dos que foram agraciados com esse dom. Afinal, seria impossível cumprir a missão de Mateus 28:19,20, de ir por todo o mundo e pregar o evangelho e ensinar as pessoas a guardarem todas as coisas ensinadas por Jesus, se isso não fosse feito na língua estrangeira.

Por fim, o dom de línguas não foi acompanhado por um êxtase sentimental descontrolado, nem por uma barulheira estranha. Por meio dele foi ensinado sobre Jesus e a mensagem foi compreendida de forma a levar a um resultado de 3.000 pessoas sendo batizadas (Atos 2:41).

Dessa forma, podemos concluir algumas coisas sobre o verdadeiro dom de línguas:

- Ele tem como objetivo a pregação do evangelho para estrangeiros;

- Ele habilita o portador a falar uma língua que pode ser desconhecida para as pessoas locais, mas é totalmente conhecida por pessoas de outras regiões (estrangeiros), portanto só faz sentido utilizar-se desse dom, quando se vai conversar com essas pessoas (estrangeiros);

- Como resultado ele não produz barulho, êxtase sentimental ou descontrole. Ele produz conversões de pessoas que não conhecem o evangelho.

- Apesar de ser dado por Deus, o dom de línguas é uma língua humana, visto que tem por objetivo comunicar-se com seres humanos.

Apesar de ser simples, a verdade sobre o dom de línguas assim como muitos outros ensinos bíblicos, muitos fazem deles uma tremenda confusão, desviando cristãos sinceros da verdade bíblica.

Graças a Deus que Sua Palavra é clara o suficiente para esclarecer a todo que O busca com sinceridade. Faça o teste! 

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[Henderson Rogers]


As pessoas olharão para o seu Criador



“Naquele dia, enfim, as pessoas olharão para seu Criador e voltarão os olhos para o Santo de Israel. Não buscarão mais a ajuda de seus ídolos, nem adorarão aquilo que suas próprias mãos fizeram. Já não se curvarão para seus postes de Aserá, nem adorarão nos santuários idólatras que construíram.” (Isaías 17: 7, 8 - NVT)


É importante iniciar ressaltando que estes versos referem-se aos restantes ou “remanescentes” do professo povo de Deus que sobrariam após uma punição divina por suas transgressões (ver vs. 6). Esse termo repete-se constantemente no livro do profeta Isaías (e em toda a Bíblia) remetendo a este grupo de pessoas que aprenderam a obedecer e que permaneceria fiel a Deus.


Neste caso, a infidelidade da idolatria de Judá era clara, quando o povo adorava, venerava ou mesmo reverenciava ídolos criados pelas próprias mãos, para os quais templos haviam sido construídos ou dedicados. Perceba que qualquer semelhança com os nossos dias não é mera coincidência.


Entretanto, o juízo divino, aliado à misericórdia do Senhor, motivaria uma pequena parte dos transgressores, os remanescentes, a olharem para o seu Criador e abandonarem toda idolatria.


Assim como no passado, por vezes é necessário sofrer uma amarga desilusão e desastre, provocados pelo mundo cruel em que vivemos ou até pelas próprias mãos do Altíssimo, para que as pessoas desviem os olhos das coisas terrenas e voltem seus olhos para o Onipotente Eterno.


Espero que não seja o nosso caso, mas se for, que abandonemos nossa transgressão e nos voltemos para o Criador o quanto antes. 


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(Henderson Rogers)

Como você caiu dos céus!


"Como você caiu dos céus, ó estrela brilhante, filho da alvorada! Foi lançado à terra, você que destruía as nações. Pois dizia consigo: ‘Subirei aos céus e colocarei meu trono acima das estrelas de Deus. Dominarei no monte dos deuses, nos lugares distantes do norte.
Subirei aos mais altos céus e serei como o Altíssimo’. Em vez disso, será lançado ao lugar dos mortos, ao mais profundo abismo.” (Isaías 14:12-15, NVT)

O capítulo 14 de Isaías tem uma dupla interpretação. Refere-se à Babilônia literal, portanto à Babilônia histórica e ao seu governante, inimigos do povo de Deus da época em que foi escrito (por volta de 716-715 a.C.), mas também, do mesmo modo que no Novo Testamento é citada uma Babilônia simbólica (Apocalipse 14:8; 17:16; 18:4; 19:2), como centro do império diabólico, ou seja, uma Babilônia espiritual, este capítulo também pode ser usado como um retrato dos inimigos do povo de Deus de todas as eras e de seu governante. Essa interpretação aparentemente foi usada por Cristo, quando disse ter visto satanás caindo do céu como um relâmpago em Lucas 10:18.

Digamos que essa técnica interpretativa não é algo novo ou estranho para a compreensão da Bíblia, visto que os próprios autores da Bíblia a utilizaram. Além dos exemplos citados, Romanos 9 a 11 mostram Paulo utilizando-a para distinguir o Israel literal do Israel espiritual, se é que podemos chamar assim (cf. Romanos 9:25, por exemplo). O mesmo ocorre com Pedro (1 Pedro 1:1,2,9,10). Assim, do mesmo modo como algumas profecias feitas ao Israel literal cumprem-se no Israel espiritual, as profecias feitas sobre a Babilônia histórica, cumprem-se igualmente na Babilônia espiritual, ou seja, assim como há detalhes proféticos da queda da Babilônia histórica, os capítulos 13 e 14 de Isaías detalham a queda da Babilônia espiritual.

Deste modo, os versos iniciais usados para referir-se ao rei da Babilônia histórica (ver vs.4), também fazem referência ao governante da Babilônia espiritual, satanás. A partir deles, em especial ao que foi traduzido como “estrela brilhante” ou “estrela da manhã”, “luz da alvorada”, ou  “filho da alva”, é que surgiu o nome Lúcifer, que do latim significa “portador de luz”. Apesar de esse termo não ser um nome próprio encontrado na Bíblia, e há diversas críticas sobre isso, é utilizado por religiões para referir-se a satanás antes do pecado. É importante ressaltar que por mais que o nome não apareça na Bíblia, o ser que o representa aparece. E essa profecia pode ser aplicada a ele, como inicialmente esclarecido.

“Estrela da alva” (Isaías 14:12) aqui serve para ilustrar a posição elevada que satanás tinha no Céu, ao lado de Cristo, a quem também é atribuído termo similar (ver 2 Pedro 1:19, Apocalipse 22:16). Essa posição, possivelmente a mais importante após a posição de Cristo, devido à atribuição do termo, logo foi deposta quando, na guerra contra Jesus, satanás foi derrotado, expulso do Céu e lançado para a Terra (cf. Apocalipse 12:7-9). 

E o motivo é exposto no verso 13: Pelo seu orgulho, satanás queria ser exaltado acima das estrelas, dos anjos de Deus (cf. Jó 38:7), e assentar no trono do universo, ocupando o lugar do Eterno Deus, sendo semelhante ao Altíssimo (vs.14). Sendo um ser criado, Lúcifer almejava a honra dos seres celestiais e de todo o universo devida somente ao Criador. Ele queria ser Deus. E foi lançado ao mais profundo abismo.

Note que essa não é necessariamente uma referência ao inferno como um lugar existente atualmente, conforme a crença popular. É uma figura de contraste comparado ao almejado lugar mais alto do universo, o trono de Deus. Ele orgulhosamente queria ser honrado, o que originou o pecado, e por isso foi humilhado.

E daí originou-se tudo o que conhecemos como pecado. De um ser que queria ser Deus, mesmo tendo sido criado por Ele. Isso deveria ser objeto constante de nossa reflexão. Toda vez que escolhemos cair em tentação, estamos cumprindo o propósito desse terrível ser, que quer ocupar o lugar de Deus. Acabamos sendo marionetes nos colocando nas mãos de satanás ao decidirmos pecar. É esse mesmo o seu desejo?

Que neste novo dia decidamos estar mais próximo a Cristo, em quem obteremos poder para mais uma vez derrotar aquele que deseja ocupar o lugar do Criador e quer nos usar para isso. Que, pelo poder do Eterno, não permitamos ser manipulados pelas estratégias satânicas ao tentar atingir o seu propósito inicial, e que o Senhor te dê vitórias em todo o seu viver.

(Henderson Rogers)

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