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À Lei e ao Testemunho!

 


“Consultem a Lei e os ensinamentos de Deus! Aqueles que contradizem Sua palavra jamais verão a luz.” (Isaías 8:20, NVT)

Numa versão mais tradicional, o verso está escrito assim:

“À Lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva.” (Isaías 8:20, ARA)

Após citar os erros do professo povo de Deus que, temendo o amanhã desconhecido, caiu na tentação de recorrer a meios espiritualistas de “consultar aos mortos” por meio de médiuns que alegavam ver o futuro, o profeta Isaías deixa claro que toda e qualquer consulta que o povo de Deus deve recorrer é unicamente a Deus, mediante a Lei e o Testemunho.

É importante esclarecer que aqui, o termo Lei (do hebraico torah) refere-se aos escritos inspirados, em especial os escritos por Moisés (Gênesis a Deuteronômio), onde estão inseridos os mandamentos da Lei de Deus. Os profetas de Deus eram conhecidos como Suas testemunhas, videntes ou porta-vozes, e o Testemunho refere-se aos ensinamentos de Deus transmitidos por esses profetas.

Dessa forma, o conselho profético é que o povo de Deus deve consultar a Deus por meio das Escrituras Sagradas como um todo, a Lei e os ensinamentos de Deus dados pelos profetas, conteúdo do restante da Bíblia, pois nela foi que Deus se revelou, e por isso, ela é o padrão da verdade e o guia para viver corretamente, conforme a vontade de Deus.

O Novo Testamento reitera essa mensagem profética ao afirmar:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer perceber o que não está em ordem em nossa vida. Ela nos corrige quando erramos e nos ensina a fazer o que é certo.” (2 Timóteo 3:16, NVT)

Ainda, a mensagem divina dada por intermédio de Isaías ainda acrescenta: Aqueles que buscam orientar suas vidas e até a vida dos outros, nesse mundo religioso em que vivemos, e que não se basearem na Bíblia, contradizendo à Palavra de Deus, “jamais verão a luz” (Isaías 8:20, u.p.).

Não há como fazer a vontade de Deus sem estar fundamentado ou contrariando a Palavra de Deus, Sua Lei e Seus ensinos. Isso porque a Bíblia, as Escrituras Sagradas como um todo são Lâmpada e Luz, como afirma o salmista: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” (Salmos 119:105, ACF). Assim, não há como ser iluminado pelo Eterno indo contra a Bíblia, deliberadamente, mesmo que altere apenas um “j” ou um “~”. 

Sobre este assunto, Jesus mencionou que nem Ele alterou a Bíblia, a Lei e os mandamentos, nem os deixou de cumprir, e muito menos qualquer ser humano deveria fazê-lo:

"Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus.” (Mateus 5:17-19, NVI)

Por fim, o profeta Isaías ainda acrescenta as consequências de se orientar por outros meios, como o espiritualismo mencionado anteriormente, ou outros não fundamentados na Palavra de Deus, por escolherem não andar na Luz:

“Andam sem rumo, cansados e famintos [...]. Olharão para o céu, depois olharão para a terra, mas por onde voltarem os olhos só haverá problemas, angústia e sombrio desespero. Serão lançados nas trevas.” (Isaías 8:21,22, NVT)

Que nossa escolha diária seja ter a nossa vida guiada pela Palavra de Deus e que assim, andemos na Luz do Senhor.

(Henderson Rogers)

Será que os vivos devem buscar a orientação de mortos?


“Será que os vivos devem buscar a orientação de mortos?” (Isaías 8:19, u.p, NVT)


A retórica no final do verso é a introdução para um assunto delicado, muito importante, e que precisa ser estudado com atenção, refletido e analisado. Convido você a fazer isso agora mesmo. 

Vejamos o verso inteiro:

“Talvez alguém lhes diga: ‘Vamos perguntar aos médiuns e aos que consultam os espíritos dos mortos. Com sussurros e murmúrios eles nos dirão o que fazer’. Mas será que o povo não deve pedir orientação a Deus? Será que os vivos devem buscar a orientação de mortos?” (Isaías 8:19, NVT)

Vejamos o mesmo verso em outra versão da Bíblia, para ficar mais claro:

“Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Isaías 8:19)

O Contexto


Os filhos de Israel haviam se separado de Deus, assim como tinha feito o rei Saul, até que o Senhor já não os respondia mais. E, como Saul, o povo procurou fontes obscuras comuns naqueles dias (e em nossos dias também), em que o espiritualismo prevalecia, a fim de obter direção e ajuda. 

O povo procurava a direção de espíritos desconhecidos e escusos. Desconhecidos porque a Bíblia afirma que certamente não são espíritos de mortos a quem os necromantes (ou como traduzido atualmente, médiuns) consultam. Para entender a visão bíblica sobre esse assunto, é importante observar o que a Bíblia afirma sobre a vida e sobre a morte.

A equação da vida


“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.” (Gênesis 2:7, ACF)

“Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra. Soprou o fôlego da vida em suas narinas, e o homem se tornou ser vivo.” (Gênesis 2:7, NVT)

Observando também essas duas versões da Bíblia, só pela tradução já é possível observar que o que é chamado de “alma” em uma versão é chamado de “ser” em outra versão. E essa informação é fundamental para entender o surgimento da vida, a composição do ser humano. Segundo as Escrituras Sagradas, uma alma é um ser vivo, o resultado de um corpo criado por Deus a partir do pó da terra e o fôlego da vida dado por Deus. Ou seja, um ser vivo não possui uma alma, ele é uma alma. 

Para tornar mais claro ainda, conforme este verso, o ser vivo (ou alma) é o resultado da equação:

CORPO (pó da terra/cinzas) + VIDA (fôlego da vida/dom da vida) = ALMA (ser vivente)

Desse modo, podemos entender melhor que, na ausência de um dos elementos da equação, não há como resultar em alma vivente. Ou seja, sem o fôlego da vida proveniente de Deus não existe vida e nem alma, resta apenas o pó da terra, as cinzas. Sem o pó da terra (corpo), não existe ser humano ou alma. Ora, se quando alguém morre, não existe alma, como então pode alguém consultar um morto, se ele nem existe mais? Essa pergunta precisará ser repetida, para maior reflexão.

Espírito


É importante ressaltar que, no Antigo Testamento, a palavra hebraica usada para o fôlego de vida da equação anterior é por vezes traduzida como espírito. No Novo Testamento, a palavra equivalente em grego é pneuma, que significa sopro. O fôlego ou sopro da vida é dado por Deus para que o ser humano exista, ou seja, torne-se alma vivente. Assim, espírito, na Bíblia é o fôlego da vida, o dom da vida dado por Deus. Espírito não é um ser, ou entidade, que fica dentro do corpo. É a vida, proveniente de Deus. Dessa forma, quando alguém morre, já não mais existe o fôlego (pneuma) da vida, ou espírito. Se o espírito não é uma entidade fora do corpo, e deixa de existir na morte, como alguém poderia consultar um espírito? E, sabendo que o espírito é o fôlego de vida, como alguém poderia consultar um espírito de um morto, se nem fôlego existe mais? Sigamos.

A Morte


É válido revisar que, na morte, não existe ser humano, nem alma, e muito menos espírito, que é o fôlego da vida, visto que a vida volta para o Criador, o Autor da Vida, conforme pode ser confirmado em Eclesiastes 12:7: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

Para não restar nenhuma dúvida, sobre a possibilidade de consulta aos mortos, a Bíblia deixa mais claro ainda ao mencionar o que ocorre no estado dos mortos:

“Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos nada sabem; para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles. Para eles o amor, o ódio e a inveja há muito desapareceram; nunca mais terão parte em nada do que acontece debaixo do sol.” (Eclesiastes 9:5,6, NVI)

Já vimos que, na morte, o ser que vivia não existe mais: o corpo vira cinzas da terra, o espírito (fôlego de vida) deixa de existir, ou seja, a alma vivente não existe mais. Da mesma forma, ocorre com o seu conhecimento. Tudo foi para o esquecimento. O que havia em sua mente, já não existe mais. Não há sabedoria entre os mortos. Não há lembrança alguma, até porque, como foi visto na Bíblia, o ser deixa de existir. Também não há sentimento algum, e nunca mais eles terão relação alguma com as coisas que acontecem neste planeta, e nem em nenhum outro. Até porque, como vimos, o ser (corpo e fôlego de vida/espírito) deixa de existir. Como então seria possível consultar um ser morto, se nem ele existe mais, nem o conhecimento, sabedoria ou as emoções que ele tinha? Segundo a Bíblia, isso não é possível.

Como então tem gente que fala com pessoas que já morreram?


Se já vimos que, segundo a Bíblia, pessoas que já morreram não existem mais, e por isso não têm conhecimento, emoção, sabedoria, nem espírito, nem alma, nem nada, essa pergunta precisa ser reformulada para: Com quem falam as pessoas que dizem se consultar com os mortos? 

E a resposta, a Bíblia também apresenta:

“Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz.” (2 Coríntios 11:14)

“São espíritos de demônios que realizam sinais miraculosos” (Apocalipse 16:14)

Elas não falam com com os mortos. Elas falam com seres vivos, e esses, não são seus entes queridos, a quem elas desejam consultar. Satanás e os anjos caídos (demônios) têm a terrível capacidade de enganar pessoas de todas as formas. E tem utilizado até religiões, pessoas sinceras e boas intenções para isso. Sendo um anjo das trevas, ele pode até disfarçar-se de anjo de luz, quanto mais enganar as pessoas fingindo ser entes queridos que já morreram! E é isso que ele faz. Engana. Disfarça-se de pessoas que morreram, apresentando falas, informações, entre outras coisas, coletadas pelos anjos do mal, das pessoas que morreram, para iludir e enganar as pessoas sinceras que as procuram. 

Ele “é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44), e foi ele quem criou a crença de que a alma é imortal (ver Gênesis 3:3) e a mentira de que, por isso, os mortos podem ser consultados, sendo que, conforme pudemos observar neste pequeno estudo, isso não é verdade, além do que, a Bíblia declara explicitamente: “a alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4,20)

É válido mencionar que há também diversos casos em que essa consulta a mortos não passa de charlatanismo de alguns, para manipular, explorar, usar e lucrar pessoas sinceras em busca de conforto. A mídia vez ou outra revela casos assim em nossos dias. Mas não é desses casos que estamos falando.

Alerta para os sinceros enganados


Certamente, há muita gente boa e sincera que tem sido enganada com a crença da imortalidade da alma e suas variações, como a crença espiritualista de consultar a mortos, aos entes queridos que já não vivem mais. A dor, a tristeza e a saudade, além de outros fatores como a decepção ocasionada pelas diversas denominações religiosas existentes e seus religiosos, ou até o ensino sincero de pessoas queridas que tinham a melhor das intenções, mas que também caíram nesse engano, acabam se tornando elementos impulsionantes para que, cada vez mais pessoas, caiam no engano de procurar consultar os mortos.

Por isso, a Bíblia nos apresenta informações ricas como as que mencionei anteriormente, para que não caiamos no engano ou não continuemos sendo enganados, tendo em vista que o originador dessas crenças e feitos é aquele que deseja levar o ser humano à destruição e morte eterna. E para os que deliberadamente resolvem, mesmo tendo o conhecimento apresentado na Palavra de Deus, praticar tais enganos originários de satanás, resta a advertência: “Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele” (Levíticos 20:6).

Percebe? Por mais que haja sinceridade, bondade e boas intenções, a prática associada à consulta aos mortos é condenada por Deus pois tem origem obscura (mas clara na Bíblia) no enganador.

E para onde vão as pessoas que morreram?


A Bíblia diz que não vão para lugar algum. Eles deixam de existir, desse modo, como estariam em algum lugar? O corpo transforma-se em elementos da terra. E a vida, deixa de existir. Nem Céu, nem inferno, e muito menos purgatório (uma invenção humana não existente na Bíblia).

Até as pessoas relatadas na Bíblia que foram para o Céu não estavam mortas. Enoque, por exemplo, foi para o Céu vivo (ver Gênesis 5:24, Hebreus 11:5). Elias foi para o céu vivo (2 Reis 2:9-14). Moisés, morreu, foi ressuscitado (ver Judas 1:9) e foi para o Céu vivo (ver Mateus 17:1-8 e Lucas 9:29-36). Conforme visto em Eclesiastes 9:5, não há recompensa para os mortos. Só há recompensa para os vivos.

E esta recompensa, conforme a Bíblia, será vida eterna ou morte eterna (Daniel 12:2, João 5:29). E isso se dará a partir da volta de Jesus (1 Tessalonicenses 4:13-18). Mas esse é outro assunto bíblico que merece ser estudado em outra oportunidade. O que precisamos para responder à pergunta anterior é da informação de que, apesar da tristeza ocasionada pelo falecimento de alguém, ainda há esperança, ainda não é o fim.

Isso porque quando Jesus voltar, ele irá ressuscitar os nossos entes e amigos queridos e eles terão uma das duas recompensas baseadas basicamente na aceitação deles ou não da salvação oferecida por Cristo, enquanto vivos.

E quanto às pessoas que consultam os mortos?


Deus as ama, e os seguidores de Seus ensinos também. Todos os seres humanos são filhos queridos de Deus, portanto, somos irmãos, e devemos respeitá-los como tais e, inclusive, ao direito que eles têm de ter crenças diferentes da Bíblia.

A Palavra de Deus desaconselha fortemente e condena a prática de consultar aos mortos, tendo em vista que não são às pessoas que morreram que se consulta, mas a espíritos maus, demônios, anjos caídos. Mas a mesma Palavra de Deus nos aconselha a amar aos nossos semelhantes. Dessa forma, pessoas que estão envolvidas com essa prática não devem ser julgadas e muito menos condenadas por nós, ou incorreríamos no mesmo erro, de não praticar as recomendações bíblicas.

Sabendo que há muitas pessoas sinceras que aprenderam em toda sua vida que essa era uma boa prática e até proveniente de Deus, sem dúvida, em algum momento, elas serão conduzidas por Deus aos Seus ensinos, pois Deus incansavelmente faz isso em favor do ser humano que o busca em sinceridade. Nosso papel nunca foi de julgar, condenar, desrespeitar ou até discriminar pessoas que creem diferente de nós ou da Bíblia, e sim, ser um instrumento do amor de Deus para a vida das pessoas.


Conclusão


Por fim, tendo desmistificado um assunto tão importante por meio das Escrituras Sagradas, resta-nos o conselho bíblico, continuação do verso inicial:

“Consultem a lei e os ensinamentos de Deus! Aqueles que contradizem sua palavra jamais verão a luz.” (Isaías 8:20, NVT)

Primeiro: Que a Lei de Deus e Seus ensinos sejam constantemente a fonte de nossas consultas para as inquietações da vida e de nossas decisões.

Segundo: Aqueles que creem e ensinam uma palavra ou vírgula que contrariem a Lei de Deus e Seus ensinos, jamais verão a luz.

Que decidamos estar inseridos no grupo deste primeiro conselho, e assim, que nossos corações estejam cheios de Esperança, alicerçados na Palavra de Deus! 🙂


(Henderson Rogers)

As aplicações e não aplicações da Parábola do homem rico e Lázaro


A parábola do rico e Lázaro, dita por Jesus, apresenta incríveis lições que precisam ser refletidas e aplicadas em nosso cotidiano. Por outro lado, por meio dela, diversos preceitos criados por homens foram baseados. A seguir, vemos diversas aplicações para a qual a parábola foi pronunciada e podemos perceber diversos erros em mensagens e doutrinas que são pregadas aos quais a parábola não lhes confere autenticidade. Leia com cautela e reflita.
Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.
Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;
E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.
E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.
E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.
E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.
E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.
E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,
Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.
Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.
E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.
Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.
(Lucas 16:19-31)

OS VIZINHOS QUE NUNCA SE ENCONTRARAM – I

Dives, que em latim significa "homem rico", e Lázaro eram vizinhos. Diariamente passavam um pelo outro no portão da casa do rico. Mas, ao que parece, os dois realmente nunca se encontraram. A razão é reveladora: Dives vivia tão absorvido com seu indulgente estilo de vida que nunca notou a presença do pobre homem. Lázaro, como os pobres em geral, era "invisível".

Muitos têm tentado usar essa parábola em apoio à teoria de um inferno em que as pessoas queimam eternamente, desenvolvendo assim uma precária geografia do Céu e do inferno. Porém, segundo Romanos 6:23, "o salário do pecado é a morte". Não é uma "vida no inferno". Esse texto diz ainda que "o dom gratuito de Deus é a vida eterna". Vida eterna e morte eterna são colocadas em contraste; do contrário, nós teríamos dois tipos de vida eterna: uma no Céu e outra no inferno.

Jesus está usando linguagem figurativa. Termos como "sede", "ponta do dedo", "água", "língua" e "seio de Abraão" não podem ser entendidos literalmente. Jesus utiliza noções comuns que haviam adentrado o judaísmo pós-exílico, sob a influência da filosofia grega, para ensinar uma lição básica: todos nós temos apenas uma oportunidade para servir, e essa é enquanto estamos vivos. Por esse caminho passamos apenas uma vez. Não há nenhuma possibilidade de retorno. Todo bem deve ser feito enquanto a porta da vida está aberta.

Essa é a única parábola em que um nome é atribuído ao personagem. Ironicamente, Lázaro significa "Deus é minha ajuda". Cínicos poderiam zombar não do nome, mas do próprio Deus, que aparentemente não serve de ajuda aos milhões de famintos do mundo. O problema, contudo, não está com Deus, mas com Seus "mordomos". Deus criou um mundo com alimento suficiente para todos, mas o mundo não tem o suficiente para a ganância de todos. Enquanto muitos não têm o que comer, quase 50% da população em países ricos é obesa. Os livros mais vendidos nesses países têm que ver com dieta. Como emagrecer. Não parece realmente irônico que acusemos a Deus dos desequilíbrios criados pelo próprio homem? Os Dives do mundo continuam sem se encontrar com os vizinhos pobres e indiferentes à sorte e à miséria deles.

OS VIZINHOS QUE NUNCA SE ENCONTRARAM – II

Jesus não economiza palavras para descrever o quadro. Lázaro, sobrevivendo de magra caridade, "jazia cheio de chagas", indicando que ele era desabilitado, dependendo de outros para movê-lo. "Cães lambiam as suas úlceras" (v. 21), ele era incapaz mesmo de se proteger. Faminto, desejava alimentar-se das migalhas de pão que caíam da mesa do rico. No Oriente, pedaços de pão serviam tanto de garfo como de guardanapo, e eram jogados ao chão depois do uso.

A morte de Lázaro não surpreende ninguém. Seu enterro nem mesmo é descrito. Na sabedoria convencional dos judeus, a miséria na terra era resultado da desaprovação divina. O destino de Lázaro, entretanto, é o "seio de Abraão". Reversão maior não poderia ser imaginada. Dives, o rico, também morre. Funeral custoso é realizado com o luxo adequado à sua riqueza, mas não há nenhum anjo para transportá-lo. Na próxima cena, encontramos Dives no Hades – na tradição grego/judaica, o lugar de tormento. O abismo entre os dois é maior do que aquele criado pela riqueza contrastante com a miséria da cena anterior.

Para os que querem literalizar a parábola, uma questão é interessante: deveriam explicar se o Céu e inferno estão próximos o suficiente para que haja diálogo entre um lado e outro. Na realidade, esses detalhes sugerem apenas um aspecto prático da vida, não uma teologia ou doutrina sobre o estado dos mortos.

Como se Lázaro fosse seu escravo, Dives pede ao "pai Abraão" que o mande trazer-lhe água e depois solicita que o envie a advertir seus cinco irmãos, que caminham para a mesma direção (v. 24-28). Há milhões que são imitadores do homem rico: "Eu creria se Deus fosse mais claro." Assim, Deus é considerado culpado pela incredulidade deles. A resposta de Abraão é demolidora: "Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos" (v. 29). Se não crerem nesses, não crerão "ainda que ressuscite alguém dos mortos" (v. 31). A lógica de Abraão é confirmada pela ressurreição de outro Lázaro (Jo 11). Em lugar de crerem, o milagre tornou-se razão para endurecimento adicional. Deus fala por meio de Sua criação, da história, da Palavra escrita e da Palavra encarnada, Jesus Cristo. Não necessitamos de nada mais. O que realmente precisamos é de um coração sensível. Nosso problema não é revelação insuficiente, mas fé insuficiente. Afinal, não é a riqueza que exclui Dives do Céu, mas sua incredulidade. 

REPENSANDO A PARÁBOLA

A força da mensagem contida na parábola do rico e Lázaro tocou a vida de Albert Schweitzer. Ele viu a África como um mendigo, jazendo nos portões da Europa. Como médico cristão, dedicou-se em serviço de compaixão no continente africano. O propósito dessa parábola, como vimos, não é oferecer uma doutrina sobre o estado dos mortos, mas chamar nossa atenção para a oportunidade de utilizar nossos recursos para servir enquanto temos vida.

A dramática narrativa foi provavelmente precipitada pela atitude dos fariseus, que "amavam o dinheiro" (Lc 16:14, NTLH). Quando esses "piedosos" atores ouviram que, segundo Jesus, é impossível "servir a Deus e às riquezas" (v. 13), eles O ridicularizaram (v. 14). Jesus conta então essa história (v. 19-31). O drama em três atos nos estarrece. Primeiro, Jesus descreve o contraste dos estilos de vida dos personagens. Lázaro, o mendigo, permanece "invisível" em sua miséria. O rico vive de modo indulgente, em suas roupas e banquetes.

Hoje, mais que nunca, o uso egoísta das posses levanta barreiras. Socialites aparecem em festas extravagantes, com vestes de grifes de preços assombrosos, ou gastos patológicos com luxos para animais de estimação. No segundo ato do drama, os personagens surgem por ocasião da morte. Lázaro está próximo de Abraão, o pai de Israel. Dives teve funeral suntuoso, talvez até tenha sido declarado feriado. Mas foi para o hades – segundo a crença popular, o local de castigo. Não que ele fosse irreligioso, pois até clama ao "pai Abraão" (v. 24). Talvez tivesse sido um bom praticante da religião. Contudo, viveu sem amor, cavando fundas valas ao redor de si. A terceira cena é o diálogo entre o rico e Abraão. Os pedidos são negados, e Abraão afirma uma verdade universal: aqueles que são surdos à voz de Deus em Sua revelação não serão convencidos por milagres e sinais.

Qual o pecado de Dives? Nunca ter notado Lázaro. Qual é o nosso? Cada ano, entre 15 a 20 milhões de pessoas morrem de fome e enfermidades relacionadas a ela. Cerca de 12 milhões são crianças com menos de 5 anos.

A cada ano, 250 mil crianças se tornam cegas por falta de vitaminas. Você passa por muitas delas a caminho do trabalho, escola, igreja ou em sua porta. Você as vê? Nosso pecado é que simplesmente não fazemos nada.

(Amim A. Rodor - Meditações Diárias - CPB)

"Alma" na Bíblia


A palavra Alma, do hebraico nefesh, ocorre 755 vezes no Antigo Testamento, 144 vezes no livro dos Salmos, e, apesar de ser traduzida com frequência como “alma”, esta tradução não é adequada, pois “alma” transmite a muitos leitores do português, ideias que não pertencem de forma apropriada a nefesh. Uma breve análise da palavra hebraica ajuda a esclarecer o que os escritores da Bíblia queriam dizer quando usaram esta palavra.

Nefesh vem da raiz nafash, um verbo que ocorre apenas três vezes no Antigo Testamento (Êxodo 23:12; 31:17; 2 Samuel 16:14), com significado de “reviver” ou “renovar-se”. O verbo parece voltar ao significado básico de respiração.

É possível chegar a uma definição de nefesh partindo do relato bíblico da criação do homem (Gênesis 2:7). O texto declara que, quando Deus deu vida ao corpo que havia formado, o homem literalmente “passou a ser alma vivente”. A “alma” não existia previamente, mas veio a existir na criação de Adão. Uma nova alma vem à existência toda vez que uma criança nasce. Cada nascimento representa uma nova unidade de vida, única e diferente, separada de outras unidades similares. A nova unidade jamais se funde em/com outra. Sempre será a mesma. Pode haver incontáveis indivíduos parecidos, mas nenhum que seja essa unidade. Essa individualidade parece ser a ideia enfatizada no hebraico nefesh.

Nefesh é empregada não só para o ser humano, mas também para animais. A frase: “Povoem-se as águas de enxames de seres viventes” (Gênesis 1:20) é literalmente: “povoem-se as águas de enxames de almas de vida [indivíduos de vida]”. Os animais e as aves são chamados de “criaturas viventes”, literalmente, “almas viventes”, ou melhor, “seres viventes” (Gênesis 1:29). Portanto, animais e seres humanos são “almas”.

A ideia básica de alma como indivíduo em vez de uma parte que o constitui parece fundamentar as várias ocorrências de nefesh. Portanto, é adequado dizer que certa pessoa ou certo animal é uma alma em vez de dizer que ele ou ela tem uma alma.

Da ideia básica de que nefesh representa um indivíduo, ou uma pessoa, provém o uso idiomático de nefesh como pronome pessoal. A expressão “minha alma” significa “eu”, “mim”; “tua alma”, “você”; e “alma deles”, “eles”, “os”.

Visto que cada nefesh representa uma nova unidade de vida, o termo é usado com frequência como sinônimo de “vida”. Em 176 casos a Bíblia na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) traduz nefesh por “vida”, e há diversos casos em que “vida” teria sido uma tradução mais adequada.

A maioria das ocorrências de nefesh pode ser traduzida de forma adequada como “pessoas”, “indivíduo”, “vida” ou pelo pronome pessoal apropriado. “As almas que lhe acresceram em Harã” (Gênesis 12:5, ARC) é simplesmente “as pessoas que lhes acresceram em Harã”. “Que viva a minha alma por amor de ti” (Gênesis 12:13, ARC) é simplesmente “que me poupem a vida por amor e ti”. “Por isso tal alma será extirpada do seu povo” (Levíticos 19:8, ARC) é simplesmente “ele será eliminado”. [Entre outras situações]

(Comentário Bíblico Adventista, Vol. 3, p. 749, 750; CPB)

Reforma da Reforma



Reforma que não é mantida, deteriora-se. Algumas reformas feitas no passado, para  a nova geração tornaram-se entulhos.  Se a reforma não trouxer consigo elementos que levem  à mudança de vida do ser humano, fazendo-o sentir a necessidade de  buscar  na fonte a renovação diária,  jamais terá força para manter-se inabalável.  E o ciclo vai se repetir: reforma precisando de reforma.

Um dos maiores motivos  da  Reforma protestante  foi a venda de indulgências pela igreja Católica Romana em que parentes de mortos eram amedrontados pela mensagem do purgatório. Era o pagamento que faziam, com sacrifício físico e recurso financeiro que “livraria” seus entes do ‘fogo do inferno’. Outro motivo,  foi o fato de a Igreja pregar que fora dela (Igreja romana) não havia salvação. A Reforma Protestante excomungou Lutero da Igreja Católica e foi considerado um fora da lei pelas autoridades por perturbação à ordem pública. Ele poderia ter ficado calado, se levasse em consideração apenas o apoio que teve de sua própria igreja que custeou seu curso de teologia. Era mantido exatamente pelos recursos provenientes das vendas das indulgências, das quais tornou-se grande crítico. Sendo mantido pela igreja, falava contra os erros que seus líderes defendiam. Ele poderia ter ficado calado, mas preferiu a verdade ao conforto e suas credenciais.Diferentemente do julgamento pela inquisição do Tribunal do Santo Ofício, hoje já não existe o julgamento, mas sugestões apresentadas por apelos psicológicos e 'lavagem' cerebral, fazendo com que o indivíduo fique preso segundo o entendimento que aprendeu, de que sempre deve oferecer mais, caminhar mais do que caminha, para demonstrar amor à obra de Deus; por mais que se faça ainda é insuficiente. 

A Reforma em nossos dias

Se hoje há mais esclarecimento sobre a salvação pela graça, e de que a salvação é estendida a todos os povos, raça e língua e nação, ainda somos amedrontados com a sombra do que assustava os que entendiam precisar sacrificar-se ou a pertencer a determinada igreja para receber o perdão de Deus.  Hoje, a  venda de indulgências ganhou outras faces e quase todas as religiões se mascaram com essa prática. Hoje o discurso é mais brando, não tão aterrorizante como antes, pois a porta que Lutero abriu levou luz aos olhos de muitos, mas fiéis  são sugestionados por seus grupos religiosos da mesma maneira como fazia a Igreja Católica naquele tempo.

Fiéis são amedrontados por  pastores que ameaçam com a ideia do ‘devorador’ que consome tudo que pertence de quem não devolve os dízimos, nem oferece suas ofertas ao Senhor, contanto que seja em sua igreja. Isso, certamente, cria um sistema de escambo com Deus, quando as religiões fazem apelos psicológicos a ponto de despertar em seus fiéis, sentimento de medo e culpa, alguns até dispondo-se de algo que lhes fará falta para cumprir a obrigação que sugerem ser cumprida.  A mentalidade do dizimista e do doador torna-se distorcida exatamente porque é construída por essa base que parece servir apenas para sustentar as estruturas das instituições e enriquecer seus líderes que vivem confortavelmente, em contraste com as dificuldades que vivem os fiéis que lotam seus templos. O dizimista aprende com seus pastores a sentirem-se no direito de cobrar de Deus as promessas que eles os sugerem, de acordo com seus interesses de arrecadação. Outros são sugestionados a serem fiéis dizimistas e ofertantes por meio de testemunhos apresentados em programas de televisão daqueles  que dizem ter sido  abençoados  porque tornaram-se fiéis na devolução do que pertence a Deus, que pagou todos os dízimos atrasados, etc.  Ou seja.  Um ensinamento Bíblico que deve ser praticado, sendo canalizado de maneira errônea, para atender aos interesses de líderes religiosos fraudulentos, não exatamente à causa de Deus, e com isso, roubam dos fiéis o direito de entenderem claramente a função daquilo que oferecem, pois a informação os levaria à consciência e entenderiam o que seria uma exploração desmedida em desacordo com a palavra de Deus. O despertar da consciência é sempre uma ameaça a algum sistema manipulador e opressor.

Em outros casos, igrejas abrem as portas dizendo que aquela é a casa de Deus, que ali estão os fiéis seguidores de Cristo, que tem a verdade, e que Jesus está ali, não em outros lugares, num discurso que pretende conquistar fiéis que abraçam a igreja como se sem ela não pudessem alcançar a salvação. Para as igrejas se manterem cheias, fazendo vista grossa ao pecado,  o bordão utilizado é: “olhe para Jesus”, contrariando o ensinamento:   “Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”.  (Gálatas 6:1-8) – E quando algo bom pratica, por obras de sua própria justiça, o discurso é: “Olhe para a Igreja”.

A verdade, é que as instituições religiosas precisam rever seus conceitos diante do projeto de poder e influência no mundo. De fato, é cada vez mais difícil lidar com uma sociedade considerada rebelde, exatamente  porque  seus olhos  tem sido abertos pelas informações de que tem acesso, enquanto que a mensagem de Jesus é inquestionável. Toda mensagem que foge ao princípio do que Cristo ensinou, torna-se insustentável, pois passa para o campo especulativo, das pesquisas acadêmicas, das evidências científicas, no qual  todos tem opiniões para sugerir e teorias até razoáveis para apresentar.

Os argumentos de Martin Luther foram incontestáveis, pois quando ele apoiava sua argumentação na Bíblia, a Igreja rebatia pelo entendimento de que o que fazia era preciso e que não precisava ser necessariamente a verdade. A mensagem do purgatório e a expiação por sacrifício humano,  era  um meio que a Igreja utilizava, segundo seu entendimento, para dar esperança às pessoas; assim como é hoje a doutrina da reencarnação e de que a morte é uma passagem. São mensagens que confortam e alimenta esperança nas pessoas, mas não é a verdade. O princípio é o mesmo utilizado pelas igrejas que fazem as pessoas terem esperança de conseguir algo, doando bens materiais. Mas não é este o princípio da verdade.

Se Martin Luther não tivesse tido a coragem de lutar contra o sistema religioso em sua época,  certamente outros seriam despertados diante de tanta exploração em nome da fé, como existe hoje os combatentes anônimos que naturalmente são excomungados de suas congregações. A mesma cena se repete. A instituição religiosa torna-se representante de Deus na terra, não a igreja sendo a imagem de Cristo em seus seguidores. A instituição torna-se infalível pelo  seu conhecimento e riqueza de conteúdo, sem despertar em seus membros a certeza de que só com a prática do evangelho de Jesus na vida, é possível atender ao apelo de ser perfeito como Ele é. Protestantes não protestam mais, estão calados por vários motivos.

É assim que acontece com Martins Luteros modernos, que querem reparar brechas e levar os fiéis a beberem da fonte que satisfaz, não em fontes rotas. Mas sua voz seria ameaça ao projeto de poder das religiões. É preciso despertar a mensagem  que leve o cristão a exaltar o Criador, não à criatura, e que o testemunho pessoal seja mais importante que as ferramentas,  e a pensar que a igreja de Deus é representada por todo aquele que lavou suas vestiduras no sangue do cordeiro, que guardem seus mandamentos, e, sobretudo, sejam testemunhas de Jesus por suas práticas. É a libertação do jugo do homem, pela submissão ao jugo de Cristo, permitindo-se a sua guia. Então teremos descoberto a religião verdadeira, que não se resume à defesa cega de uma denominação, como uma paixão capaz de cegar o entendimento, nem a líderes dessas agremiações, mas ao verdadeiro serviço do mestre.

Você precisa ir ao lugar certo

Na última terça-feira (12/07/2011), ao voltar para um estacionamento encontrei em meu pára-brisa um folheto que, mesmo sem o autor saber, fazia propaganda para o Diabo.
Ele começa com a seguinte mensagem: “[...] Se você ler esse folheto, e achar que precisa de ajuda, com certeza você precisa ir ao lugar certo!”
Até aqui tudo bem. Afinal, se quisermos resolver nossos problemas, não podemos sair por aí buscando a “solução” em qualquer lugar, de qualquer maneira. Se formos diretamente “ao lugar certo”, pouparemos tempo, economizaremos energia e preservaremos nossa saúde mental das desilusões.
O problema é que “o lugar certo” apontado pelo o folhetinho eram os “guias de luz”, as “cartas”, os “búzios” e a “consulta mediúnica”. Você percebeu que o ser humano se preocupa mais em “dar a solução à vida” do que com o tipo de solução que lhe é apresentada? O “importante” é que “eu encontre uma saída”, venha ela de onde vier.
As pessoas não se preocupam em descobrir quem é que está lhes propondo a “felicidade”: Deus ou Satanás. Isso é terrível, pois, levará muitos à perdição eterna (Mt 7:13, 14) e ao fracasso nessa vida. Não é de surpreender que Apocalipse 20:8, 9 nos mostre que o número de perdidos é muito maior que a quantidade de salvos (Ap 7:9).
A Bíblia não ensina que existe “um lugar certo” para irmos resolver nossos problemas. Ela ensina sim é que há uma Pessoa Certa: “Venham a mim [Jesus Cristo], todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores [não seguidores da feitiçaria ou do espiritismo] e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso [...] .” (Mt 11:28-30)
Cristo jamais ofereceu ao ser humano a feitiçaria, cartomancia, búzios e consulta mediúnica como “recursos de Deus” para resolver problemas. Afinal, Ele sabia ser a única saída para o ser humano (Jo 15:5) e tinha consciência de que qualquer prática espiritualista é condenada por Deus (Dt 18:10-14), por ter origem com o Diabo, anjo caído que foi expulso do Céu (Ap 12:7-9. Confirma 1Sm 28; 2Co 11:14, 15; Mt 24:24).
Jesus sabia que recorrer às práticas sugeridas pelo folheto colocado em meu carro contaminam o ser humano espiritualmente e afastam de Deus: “Não procurem a ajuda dos que invocam os espíritos dos mortos e dos que adivinham o futuro. Isso é pecado e fará com que vocês fiquem impuros. Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês.” (Lv 19:31).
Além disso, Ele mesmo (pois é Deus – Cl 2:8,9) havia dado a ordem para executar aqueles que insistissem na prática da feitiçaria e seus “derivados”, depois de receberem a revelação Divina sobre o assunto: “Qualquer homem ou mulher que invocar os espíritos dos mortos ou praticar feitiçarias deverá ser morto a pedradas. Essa pessoa será responsável pela sua própria morte.” (Lv 20:27).
O Salvador, como profundo conhecedor da Bíblia (Lc 24:27, 44) também conhecia o texto de 2 Reis 21:6, onde o profeta conta que alguns dos pecados praticados pelo rei Manassés – e que mais irritaram a Deus – foram a feitiçaria e a consulta a médiuns: “[...] fazia adivinhações e feitiçarias e consultava adivinhos e médiuns. Pecou muito contra Deus, o SENHOR, e fez com que ele ficasse irado.”
Além disso, o Senhor estava a par da revolução espiritual feita pelo justo rei Josias, que envolveu a retirada imediata de feiticeiros e médiuns do meio do povo de Israel: “Aboliu também Josias os médiuns, os feiticeiros, os ídolos do lar, os ídolos e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, para cumprir as palavras da lei, que estavam escritas no livro que o sacerdote Hilquias achara na Casa do SENHOR.” (2Rs 23:24, versão Almeida, Revista e Atualizada).
O folheto também prometia “ajudar a pessoa” a fazer “amarração para o amor”. Quem o escreveu esqueceu (ou não sabe) que “Deus é amor” (1Jo 4:8, 16) e que Ele e tal sentimento que provém dEle não podem ser “amarrados” por ninguém.
O amor vem do Espírito Santo (Rm 5:5) e não através de práticas de feitiçaria. Amor se conquista e não se impõe. Não se compra. Se as pessoas não compreenderem isso, além de serem enredadas pelo diabo com práticas espiritualistas e ocultistas, serão frustradas no amor e desiludidas com a vida.
Que isso jamais aconteça com você e nem comigo, caro leitor!

(Leandro Quadros - apresentador do programa  Na Mira da Verdade)